terça-feira, 22 de dezembro de 2015

COMENTÁRIOS À FRASE DIA Até quando, Catilina, abusarás da nossa Paciência?


Vianney Mesquita*


A paciência, repetidamente provocada, decerto, se transformará em fúria. (Publílio Siro).


No dia 15 recentemente transato (dezembro de 2015), o blog da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo publicou, convenientemente ilustrada com um quadro do pintor italiano Cesare Maccari, a matéria aludida no fundamento desta nota - Políticos Brasileiros - A Frase do Dia - com vistas a evidenciar a fase sociopolítica do Brasil, na Operação Catilina, denominada pela imprensa do País para uma manobra da Polícia Federal, sucedida naquela data.   
Absolutamente oportuna e vergonhosamente veraz é esta sentença sugerida pela imprensa nacional, subsidiariamente estendida pela nossa Editoria, para retratar a Pátria então vigente, quando, por exemplo, despudorados catilinas, poucos, felizmente, do universo de 513 deputados à Câmara Baixa do País – e põe “baixa” nisto – se esmurram e permutam palavras de calão reles, como se representantes fossem de uma laia semelhante à sua, fato a não se coadunar conosco, os nacionais que, em pecaminoso equívoco, os elegemos em pleito democrático.
 Sem querer, tampouco necessitar, entrar no mérito – corrijo, demérito, da estória – pois o País inteiro assiste, e o estrangeiro em peso acha graça de nós, vou somente, com vistas a facilitar para o leitor a descodificação da sentença oferecida a fim de fotografar o dia, trazer achegas informacionais às renomeadas indagações de Cícero, fartamente mencionadas pelos registos históricos. Eis as duas primeiras interrogações: Quosque tandem abutere, Catilina, patientia nostra? Quam diu etiam furor iste tuus eludet?
As muito historicamente conhecidas Catilinárias, as quais concederam a Marco Túlio Cícero o título de Pai da Pátria, constituem um conjunto de quatro orações expressas contra Lucius Sergius Catilina – a primeira e a derradeira dirigidas ao Senado Latino, e as do meio diretamente ao povo romano.
As duas ora reproduzidas na língua do Lacio, falada no então Império Latino – depois código de expressão das Ciências até época relativamente próxima - traduzem-se em: Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência? E Por quanto tempo tua loucura haverá de zombar de nós?
Lúcio Sérgio Catilina foi il capoccia de uma conjuração para chegar à República, na Cidade Eterna, no ano 63 a.C. Destemido, audacioso e arrojado, porém desprovido de consciência, dirigiu a conspiração contra o Senado (SPQR – Senatus Populusque Romanus, denominação oficial do Império), em cuja maquinação incluía as pessoas e autoridades mais depravadas daquele senhorio despótico.
 A trama foi, então, denunciada por Cícero que, na qualidade de cônsul, desmantelou a estratégia de Catilina, tendo conduzido à condenação os seus sequazes, consoante proposto por Catão de Útica, o Jóvem, descendente de Catão, o Antigo. 
Lucius Sergius Catilina morreu de armas em punho antes de alcançar seus desígnios (62 a.C), na cidade de Pistoia, hoje com aproximadamente 84 mil habitantes, região da Toscana (Itália) – vinculada à História Nacional, pelo fato de ali terem sido sepultos um em  dos cemitérios os corpos de componentes da FEB – Força Expedicionária Brasileira, que pelejaram na Segunda Guerra Mundial, na aleia dos chamados Aliados contra o Eixo RO-BER-TO – Roma, Berlim e Tóquio.
A relação procedida com Cícero, Catilina e as Catilinárias para nominar a supramencionada operação da Polícia Federal brasileira reside no fato de haver Lucius Sergius restado para o enredo histórico da Humanidade como o protótipo do conspirador, de sorte que o seu nome é, ainda hoje, empregado para qualificar negativamente os que tendem a conquistar fortuna e poder, por todos os meios, ao afundar na desdita a própria Alma Parens, consoante sucede agora no Brasil.
Acresce referir, por curiosidade, a ideia de o mencionado evento haver transposto à História, em razão - além da sua relevância fática como ocorrência altamente representativa do passado - da preeminência experimentada pelo Latim como língua culta, cujo emprego, consoante adiantei há pouco, consumiu longo tempo feito código da manifestação científica em todo o Mundo, bem assim, utilizado como expediente comunicativo da Igreja Católica, detentora de enorme poder, grande até a atualidade.
De tal maneira, as obras eruditas, expressas na codificação românica, consoante ocorreu com os dois pares de Catilinárias, inda são (bem menos, porém, do que dantes) exercitadas em escolas de vários países, como teores de matérias jungidas ao Latim, o qual, por meio de bestuntos tão estreitos de nossas então “autoridades” educacionais, sobrou retirado dos nossos curricula, trazendo imenso prejuízo, no Brasil, ao aprendizado da Língua Portuguesa. É o caso de também se perguntar – Quosque tandem?
Por conseguinte, continuemos todos a indagar, até se chegar a um modus faciendi para a conclusão de um estado crítico tão indecoroso – emoldurados pelo célebre afresco de Maccari (Cícerone denuncia Catilina  - 1888), reproduzido pelo periódico virtual da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo:
- Quosque tandem ?




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