domingo, 27 de dezembro de 2015

U N I V E R S I D A D E Manancial de Fé


Vianney Mesquita*

Não aprovo absolutamente o conceito a exigir que uma pessoa saiba um pouco de tudo. Saber superficialmente é conhecer quase sempre inutilmente, e, às vezes, perniciosamente. (LUCAS DE CLAPIERS, Marquês de Vauvernagues. (06.08.1715 – 28.05.1747 – 32 anos).

Muito afamada sentença do insuperável poeta indiano Rabindranath Tagore, o Gurudev (Calcutá, 07.05.1861 – 07.08.1941- 80 anos), poder-nos-á propor uma símile da Universidade – no seu perfil brasileiro de hoje – reclamada, açulada, combatida, invejada e insultada: O eco zomba de sua procedência somente a fim de provar ser ele o original.
Parece dar-se de ser, também, exatamente esta a reflexão diuturna da origem acadêmica, em toda repetição, invitando a originalidade, no desprezo de cada experiência, nas mais das vezes ao desconsiderar os valores agregados no longo e penoso curso de seu exercício.
Neste senso, o som multiplicado, figurativamente reproduzido, eo ipso, significa o referencial de procedência, o sítio desde onde a Instituição se há que dirigir.
Divisada com suporte nesta figura da literatura bengali, salvante aquela postada como excesso de criações irresponsáveis dos derradeiros tempos, a Universidade – me reporto em especial às da União e aos institutos federais - se exprime inovada, exaustivamente estudada, experimentada, revolvida nos seus inumeráveis conceitos. Defeso, contudo, tal como sucede no tropo tagoreano, é postegar a base acumulada de suas experimentações, como tributária da comunidade que a preparou. Não seria suficiente afastar conceitos, como se todos resultassem anacrônicos, e industriar concepções criativas, a fim de estabelecer o absolutamente novo, no que se não pode cogitar. Todo novo vem de um ovo – é um aforismo popular.
O que nos cumpre, a nós estudantes, servidores e docentes, envolvidos numa densa massa de incompreensões e malquerença de setores da sociedade nacional, em que se inclui de modo lamentável o Governo, é cuidar para que nossa responsabilidade se não possa esvair, arrastada pela onda de pessimismo e míngua de fé relativamente ao poderio do Estado, configurado na instituição acadêmica, e à inteligência do cidadão. 
Cada escorrego, pois, deverá constituir empenho para outra escalada. Que toda claudicância enseje nova investida, considerando a máxima camoniana segundo a qual É fraqueza desistir da coisa começada, no exercício de uma democracia limpa, cristalina, respeitosa e esquerda aos excessos tão comuns nas suas diversas compreensões.
Legitimamente, ao apagar do lume solar de 2015, no status quo sob curso e premidos por escândalos de mensuração custosa, convenhamos, é difícil raciocinar positivamente. Passada, entretanto, a borrasca, ao hálito brando do zéfiro de uma democracia circunspecta, impende-nos a todos incutir na sociedade brasileira a verdade consoante a qual é possível reverter o quadro, mal bosquejado, do desenvolvimento e da comodidade nacionais no trânsito pela intelligentsia latente da Universidade.
É de nosso cometimento fortalecer a pesquisa para produção de ciência e tecnologia, sem, contudo, preterir o pensamento, tampouco esconder a arte, estimulando a poética e considerando as humanidades, numa movimentação anímica, para o exercício continuado da vida em todas as suas facetas lícitas e salutares.
A vitalidade da Academia repousa na sua prática e no automovimento. Não é coisa estanque, que se baste periodicamente. A propósito, o professor estadunidense de Harvard, Henry Brooks Adams, expressou, com propriedade e nexo, que não haver algo ... que mais assombre na Educação do que a quantidade de ignorância que ela acumula sob a forma de fatos inertes.
Conforme é a vida, a Universidade resulta processual, motora e receptora, produz e acolhe, ensina e aprende, aproveita, inova, progride e retorna para se avaliar e perlustrar sua trajetória, a qual há de ser triunfante.
Todos somos contrários à curvatura, em virtude das dificuldades momentâneas. Preferimos obedecer à famosa parêmia latina – Flexo, sed non frango - pois, envergando sem se quebrar, votamos pelo desafioA administração inteligente e corajosa das crises traz sempre soluções de vanguarda, e disso a letra da História é repleta. Serão desnecessárias a desobediência civil e a bravura indômita e inconsequente. O repto consta principalmente da decisão de fazer por caminhos inteligentes e meios pacíficos.
É inteligente e pacífico cobrar sempre dos órgãos oficiais – e publicamente – posições relativas à Educação. Resta inteligente, pacífico, hábil e sereno, também,verberar de todas as tribunas os descasos dos mais elevados setores da Gestão Públicapara com o povo, a fim de comporem querelas políticas e individualismos partidários insatisfeitos, em detrimento da existência nacional, como se os grêmios não devessem servir à Sociedade.
É inteligente, pacífico, veemente e justo se empreender a defesa da Universidade das críticas de encomenda que lhes são impatrioticamente assacadas pelos portentos da numisma e partidários da ignorância – aqueles tão pobresque o bem único possuídoé o dinheiro – na esperança de que as IES se dobrem aos seus ataques e deixem de cumprir seu papel, ao abandonar projetos de excelência e retornar ao modelo de escolão de segundo grau, facilitando a sanha exploradora de quem interessa o marasmo e aproveita a paralisação do ensino, pesquisa e extensão. A crítica à “ineficiência” proclamada da Universidade é pérfida
Não é, porém, aceitável a pecha de desordenados, inoperantes e desleixados. Os erros são reconhecidos, grandes equívocos e omissões em boa parte. É confessado, no entanto, o fato de que, em meio a ondas de corrupção que grassa como lesa-pátria há longos e esticados anos, quase culturalmente arraigada na tradição administrativa brasileira oficial, sua Universidade Pública resta quase infensa aos tentáculos da desonestidade funcional, sujeita, com grande tranquilidade, às incessantes auditagens dos órgãos de controle das quatro esferas de Governo – União, Estados-Membros, Distrito Federal e Municípios – que, aliás, quase as não deixam trabalhar.
Sobra inteligente e pacífico e veemente e justo e urgente que se exija sejam as universidades públicas autônomas e continuem gratuitas. As instituições acadêmicas não podem se atrelar aos ditames exclusivos do Poder Central, pois ele a não conhece, e ser gratuita permanecerá como o grande dever do Estado.
Enfim, sobeja inteligente e justo que as instituições saibam valorizar seus recursos humanos, nas atividades-fim e meio, hoje amplamente qualificados, com mestrado e doutorado, a fim de que, unidos num só corpo, possam seguir com tranquilidade o seu caminho e firmar sua história, Sine ira et studio – “sem cólera nem parcialidade” – como tencionava Públio Cornélio Tácito (56–117) para sua Ciência Histórica.
Natal de luz, Nascimento de lucidez para o povo brasileiro.





MANUEL BANDEIRA Batista do Modernismo Nacional



Vianney Mesquita*

O poeta é como o Sol; o fogo que ele encerra é quem espalha a luz nessa amplidão sonora [...]Queimemo-nos a nós, iluminando a Terra! Somos lava, e a lava é quem produz a aurora! (ABÍLIO GUERRA JUNQUEIRO).

Perfaz-se no 2016 entrante (13 de outubro) o aniversário de 48 anos de passamento do festejado poeta recifense MANUEL Carneiro de Sousa BANDEIRA Filho, ocorrido no Rio de Janeiro, nato que foi na, Mauriceia, em 19 de abril de 1886.
MÁRIO Raul de Morais ANDRADE – nome completo para não se estabelecer embaraço com o agrônomo e escritor (*Fortaleza, 05.10.1910 – 05.02.44) Mário Kepler Sobreira de Andrade, o Mário de Andrade do Norte – chamou a Manuel Bandeira, e com muita propriedade, de São João Batista do Modernismo brasileiro, conquanto o extraordinário rapsodo de Libertinagem não haja participado da Semana da Arte Moderna, em fevereiro de 1922.
Ao polígrafo, musicólogo e crítico paulistano assistiam sobradas razões para anotar a denominação, porquanto Bandeira foi dos primeiros a escrever produções poemáticas em antecipação ao novo moto e renovado espírito da poética nacional, ao empregar o verso branco com excepcionais desenvoltura e beleza. Bem atestam esta asserção seus produtos anteriores a 22, especialmente Carnaval (1919 - quem não conhece “Os Sapos”?), uma das primeiras peças do movimento modernista.
Avesso ao “lirismo funcionário público” – decerto em alusão aos exageros oficiais da forma romântico-parnasiana – “ com livro de ponto e manifestações de apreço ao Sr. Diretor” – como ele próprio disse – preferiu aquele “difícil e pungente dos bêbados – o lirismo dos clowns de Shakespeare”.
Conforme exprime, entretanto, Otto Maria Carpeaux – em Origens e Fins, de 1943 – esse lirismo será revelado, além dos versos românticos, como em A Cinza das Horas. A força interventiva da inteligência crítica, batendo de frente com a sensibilidade analítica profundamente romântica de Bandeira, haverá de produzir o humor, o qual demarcará suas estrofescom a autoironiaconsoante ocorreu em Pneumotórax, contrapondo-se à selfpity do romantismo. Foi isso mesmo o que aconteceu.
Ressalte-se (quando do ensejo da comemoração dos seus 130 anos de nascimento, a ocorrer em 19 de abril do ano vindouro) o fato de que, sob ângulo novo, intocado pelas centenas de fontes que o já estudaram, no Brasil quanto no Exterior, é custoso discorrer a respeito do produto literário e acerca do invejável caráter do Vate pernambucano, este poeta da simplicidade, na vida e na poesia.
O que se pode e deve, ainda, dizer de Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho, sem se incomodar com a repetição dos torneios, noutras estruturas, mas com semelhante mensagem, é que seu ecletismo na senda literária – poesia, música, crônica, crítica, tradução, ensaio et reliqua – legou-nos a abundante e qualificada obra, tangida “[...] pelas velhas liras e harpas elegíacas do tempo em que as cruzes, os ciprestes, os rochedos e a lua pertenciam aos românticos”. (GRIECO, in MENEZES, Raimundo de.Dicionário Literário Brasileiro. São Paulo: Saraiva, 1960, p. 162).
Pela relevância do Escritor pernambucano na literatura – vem de novo Carpeaux – e ele feito poeta, porém, não seria justo levá-lo a umplano menor, em razão da prosa cristalina dos seus ensaios, peças de crônicas e de memórias. Impõe-se destacar, também, completa o Crítico e jornalista austríaco, naturalizado brasileiro, sua produção como escritor didático em várias seletas e, acima de tudo, sua importância como tradutor de poesia, responsável pelas melhores versões de Johann Christian Friedrich Hoderlin, Friedrich Schiller, William Shakespeare [...] de Sóror Joana Inês de la Cruz e de Omar Khayann.(OP. CIT).
A extensão e a axiologia humanista-humanitária da produção de Manuel Bandeira configuram glória da espécie humana, das melhores obras de Deus, fortalecido (quem sabe) o seu espírito pela tísica que lhe assomou profunda aos tenros 17 anos, pela verdadeira peregrinação por Campanha, Petrópolis, Teresópolis, Fortaleza, Maranguape (Maracanaú), Uruquê e Quixeramobim; pelo retiro forçado a Clavadel, tudo aliado aos sucessivos passamentos de entes queridos de primeiro parentesco, ocorridos ao seu retorno ao País em 1914.
Em Clavadel – Suiça, o também letrista musical Bandeira – escreveu poemas para Francisco Mignone, Villa-Lobos, Ari Barroso, Camargo Guarnieri e outros – encontrou o escritor francês Paul Éluard, a quem nosso Poeta confessou dever “a revelação do amor à poesia e suas possibilidades”. (APUD MENEZES, ÍDEM).
Em tal acidentada e mórbida existência, que lhe educou o corpo ao clarificar o espírito, o bom aluno de João Ribeiro encontrou no Morro do Curvelo – Santa Tereza – Rio de Janeiro - o poeta Ribeiro Couto, com quem travou grande amizade.
Dele expressa Monteiro: porque era bom, “notável pela exemplaridade e singeleza [...] desinteressado dos bens materiais e voltado exclusivamente para os fins da criação literária”, o Autor de Vou-me embora pra Pasárgada em tudo bebia o bem e espalhava sua aura de bondade, sua habilidade, sua destreza em tanger a literatura com temas universais. É 

O poeta que brinca, o poeta que lança no ar, de vez em quando, um ou outro poema que é puro divertimento, é ao mesmo tempo aquele que tem dado à poesia brasileira algumas das notas de mais profunda ressonância, de mais amarga tristeza, e de mais séria contemplação da vida. (MONTEIRO, Adolfo Casais. Manuel Bandeira. Lisboa, s.ind. pg., 1943).

Viveu doente do corpo e saudável do espírito, com grande intensidade. Sua poesia é inspiração dos céus, é obra a perpassar o tempo tocando corações de todas as gerações. Sua extensa e eclética produção, versátil de sentimentos, temas e processos poéticos, é exemplo de tenacidade, inteligência e talento, de humanidade método, força de vontade e bonomia, qualidades em declínio nestes tempos difíceis, que nos tangem para distante da poesia, da lua, ciprestes e rochedos, a que aludiu Griecoem passagem anterior.
Não há quem logre, entretanto, nos tanger para longe de Libertinagem, para distante da Última Canção do Beco ... (MESQUITA, Vianney. In Impressões – Estudos de Literatura e Comunicação. Fortaleza: Agora, 1989. 175 pp).
Obrigado, poeta, sábio, semideus. Vamos de novo reler Profundamente, beber profundez nos seus ensaios, aprofundarmos nos seus conselhos, embelezarmos em suas estrofes. E aprendermos com sua vida.
Gratidão a você – Manuel Bandeira, do Brasil!




terça-feira, 22 de dezembro de 2015

COMENTÁRIOS À FRASE DIA Até quando, Catilina, abusarás da nossa Paciência?


Vianney Mesquita*


A paciência, repetidamente provocada, decerto, se transformará em fúria. (Publílio Siro).


No dia 15 recentemente transato (dezembro de 2015), o blog da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo publicou, convenientemente ilustrada com um quadro do pintor italiano Cesare Maccari, a matéria aludida no fundamento desta nota - Políticos Brasileiros - A Frase do Dia - com vistas a evidenciar a fase sociopolítica do Brasil, na Operação Catilina, denominada pela imprensa do País para uma manobra da Polícia Federal, sucedida naquela data.   
Absolutamente oportuna e vergonhosamente veraz é esta sentença sugerida pela imprensa nacional, subsidiariamente estendida pela nossa Editoria, para retratar a Pátria então vigente, quando, por exemplo, despudorados catilinas, poucos, felizmente, do universo de 513 deputados à Câmara Baixa do País – e põe “baixa” nisto – se esmurram e permutam palavras de calão reles, como se representantes fossem de uma laia semelhante à sua, fato a não se coadunar conosco, os nacionais que, em pecaminoso equívoco, os elegemos em pleito democrático.
 Sem querer, tampouco necessitar, entrar no mérito – corrijo, demérito, da estória – pois o País inteiro assiste, e o estrangeiro em peso acha graça de nós, vou somente, com vistas a facilitar para o leitor a descodificação da sentença oferecida a fim de fotografar o dia, trazer achegas informacionais às renomeadas indagações de Cícero, fartamente mencionadas pelos registos históricos. Eis as duas primeiras interrogações: Quosque tandem abutere, Catilina, patientia nostra? Quam diu etiam furor iste tuus eludet?
As muito historicamente conhecidas Catilinárias, as quais concederam a Marco Túlio Cícero o título de Pai da Pátria, constituem um conjunto de quatro orações expressas contra Lucius Sergius Catilina – a primeira e a derradeira dirigidas ao Senado Latino, e as do meio diretamente ao povo romano.
As duas ora reproduzidas na língua do Lacio, falada no então Império Latino – depois código de expressão das Ciências até época relativamente próxima - traduzem-se em: Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência? E Por quanto tempo tua loucura haverá de zombar de nós?
Lúcio Sérgio Catilina foi il capoccia de uma conjuração para chegar à República, na Cidade Eterna, no ano 63 a.C. Destemido, audacioso e arrojado, porém desprovido de consciência, dirigiu a conspiração contra o Senado (SPQR – Senatus Populusque Romanus, denominação oficial do Império), em cuja maquinação incluía as pessoas e autoridades mais depravadas daquele senhorio despótico.
 A trama foi, então, denunciada por Cícero que, na qualidade de cônsul, desmantelou a estratégia de Catilina, tendo conduzido à condenação os seus sequazes, consoante proposto por Catão de Útica, o Jóvem, descendente de Catão, o Antigo. 
Lucius Sergius Catilina morreu de armas em punho antes de alcançar seus desígnios (62 a.C), na cidade de Pistoia, hoje com aproximadamente 84 mil habitantes, região da Toscana (Itália) – vinculada à História Nacional, pelo fato de ali terem sido sepultos um em  dos cemitérios os corpos de componentes da FEB – Força Expedicionária Brasileira, que pelejaram na Segunda Guerra Mundial, na aleia dos chamados Aliados contra o Eixo RO-BER-TO – Roma, Berlim e Tóquio.
A relação procedida com Cícero, Catilina e as Catilinárias para nominar a supramencionada operação da Polícia Federal brasileira reside no fato de haver Lucius Sergius restado para o enredo histórico da Humanidade como o protótipo do conspirador, de sorte que o seu nome é, ainda hoje, empregado para qualificar negativamente os que tendem a conquistar fortuna e poder, por todos os meios, ao afundar na desdita a própria Alma Parens, consoante sucede agora no Brasil.
Acresce referir, por curiosidade, a ideia de o mencionado evento haver transposto à História, em razão - além da sua relevância fática como ocorrência altamente representativa do passado - da preeminência experimentada pelo Latim como língua culta, cujo emprego, consoante adiantei há pouco, consumiu longo tempo feito código da manifestação científica em todo o Mundo, bem assim, utilizado como expediente comunicativo da Igreja Católica, detentora de enorme poder, grande até a atualidade.
De tal maneira, as obras eruditas, expressas na codificação românica, consoante ocorreu com os dois pares de Catilinárias, inda são (bem menos, porém, do que dantes) exercitadas em escolas de vários países, como teores de matérias jungidas ao Latim, o qual, por meio de bestuntos tão estreitos de nossas então “autoridades” educacionais, sobrou retirado dos nossos curricula, trazendo imenso prejuízo, no Brasil, ao aprendizado da Língua Portuguesa. É o caso de também se perguntar – Quosque tandem?
Por conseguinte, continuemos todos a indagar, até se chegar a um modus faciendi para a conclusão de um estado crítico tão indecoroso – emoldurados pelo célebre afresco de Maccari (Cícerone denuncia Catilina  - 1888), reproduzido pelo periódico virtual da Academia Cearense de Literatura e Jornalismo:
- Quosque tandem ?




segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

EXPRESSÃO GRÁFICA - Sorbonne Cearense da Manifestação Visuoeditorial




Vianney Mesquita*

Os livros são os túmulos dos que não podem morrer. (GEORGE CRABBE. Poeta inglês. *Aldeburg, 24.12.1754;  Trowbridge, 03.02.1832).

Reflexões Preambulares

Pouco ou quase nada aproveita incitar a lembrança, no propósito de rememorar deleitáveis ou tediosos eventos compartes da história, porquanto o enredo da vida, em todos os aspectos, já vem determinado pelo Autor de seus argumentos. Aqui, evidentemente, se incluem início, meio e cabo, sem que absolutamente coisa alguma deixe de ceder, mais cedo ou tardiamente, aos caprichos demarcatórios dos seus limites.
 Eis, pois, a história, em natural dinamismo, ao percorrer a trilha predelineada e descambar para o programado termo, concedendo ensejo a outros fatos, renovados acontecimentos, os quais usufruem das experiências de feitos transatos, cujo decurso, no entanto, já teve a oportunidade de suceder. Os primeiros, todavia, experimentarão igual trajeto e desembocarão em semelhante delta, quando terão continuidade, em sucessão constante, até um dia, quem sabe, ocorrer o decesso completo da Natureza.
As recordações, entretanto, maiormente as distintas reminiscências, vez por outra, em lance venturoso ou amargo, nos ocupam a mente e nos fazem folgar ou sofrer. E isto não é bom, pois bem melhor do que não folgar é não sofrer, ficando tudo em branco, in albis da memória ...

Casas Editoriais de Ontem

Aconteceu de, neste comenos, com suporte em tais argumentos e na alternativa da ventura, me aportarem à retenção as relações travadas, amiúde, por parte dos escritores brasileiros, com as casas editoriais, em passado bem retrocedido ou pretérito mais recente, consoante se deu, por exemplo, nas repetidas visitas e entrevistas de Machado de Assis, e tantas outras notabilidades da Literatura nacional, com os irmãos Garnier - Augusto, Hipólito e Batista – bem assim na José Olympio, nos celebrados almoços pós-1964, com a comparência recorrente, entre outros, de José Lins do Rego, seu escritor permanente, até hoje, sob a destra administrativa por demais aplicada do Grupo Empresarial Record, seu competente sucessor.
Também me reporto, em exemplo mais vizinho, à Livraria Renascença, aqui em Fortaleza, onde o livreiro-proprietário, Luís de Carvalho Maia, se desmanchava em gentilezas aos escritores e demais frequentadores desse estabelecimento, à mesma maneira como sucedia na Aequitas e na Edésio – bem assim na Minerva, em período bem mais recuado, com os proprietários – os Bezerras – Assis, Cauby, Juracy e continuadores.

Imprensa Universitária – U.F.C.

De trato próprio, nos seus faustos, saboreei as delícias da Imprensa Universitária da U.F.C., fundada pelo Magnífico Reitor Antônio Martins Filho – “tipógrafo aos 11 anos” (e sob a direção, antiteticamente responsável, determinada e surreal, de Anselmo de Albuquerque Frazão), onde o vaivém de autores dos mais diversos saberes – de que é feita a U.F.C. - era imenso e constante, sempre sob as vistas e praticamente dependentes dos decisos terminantes desse Reitor Perpétuo (1904-2002), cuja opinião pacificava por definitivo qualquer pendência, ao conceder ao assunto foro de verdade e garantia de vigência.
 Ali editei o primeiro livro, em 1984 (Sobre Livros – aspectos da editoração acadêmica), e outros mais, artigos em periódicos científicos da Instituição – Revistas de Letras, Direito, Comunicação Social, Educação em Debate, Jornal Universitário etc – além de acompanhar, feito Secretário-Executivo das Edições UFC, a produção científica levada ao lume por essa Academia, no tempo áureo do Reitor Professor Paulo Elpídio de Meneses Neto (21.06.1979 a 20.06.1983), instituidor do mencionado selo.
 Hoje esta marca perfaz 36 anos, e procede, com absoluto êxito, em todos os rincões do Brasil onde comparece a cultura, presentemente sob a mão direita estabilíssima do Professor Antônio Cláudio Lima Guimarães, o qual recorre a outras casas impressoras de Fortaleza para imprimir seus volumes, ao preterir, por pretextos vários, a IU – UFC.
Lastimavelmente, se ofuscou e, num átimo, realmente desapareceu a relevância educativa, cultural e científica da outrora nacionalmente poderosa e efetiva Imprensa Universitária - pois hoje não faz sequer um folder - premida, entre outras razões, mormente de natureza administrativa, pelos ditames dos órgãos oficiais de controle federal, cujas determinações impedem o funcionamento a pleno emprego desse organismo ancilar e indispensável de uma Universidade de vanguarda, sempre à frente de muitas outras suas coetâneas no campo produtivo das ciências e de sua distribuição, a bem da Humanidade, por via da sua elaboração gráfica.
Vai-se rematando, pois, o seu enredo - comentado nas reflexões dos dois primeiros parágrafos deste escrito – de sorte a se lhe agilitar o óbito, quer por incapacidade gerencial, pelo mencionado capricho dos controllers oficiais, desazo da direção maior – Administração Superior - incúria dos funcionários, ou mesmo a conjunção de tantos motos conducentes à morte anunciada de um instituto de tão alevantadas intenções e promotor de tantos resultados, desde sua criação, há exatos 61 anos. Falta pouco, a julgar pelo jeito como as coisas se encaminham, para o terminal Requiescat in pace!

Janela Escancarada

 Vez por outra, no entanto, quando uma porta se fecha, resta escancarada uma janela. E eis que apareceu, em Fortaleza, em 1989, uma casa publicadora, com feições modernas e de comprovada responsabilidade gráfico-editorial. Reporto-me à Expressão Gráfica e Editora, cujo admirável crescimento, tanto sob o prisma físico quanto no concernente aos aspectos da qualidade, nada deixa a se pretender em relação a congêneres até de cidades maiores - conforme o são, sob o espectro cultural, além do econômico e populacional, Rio de Janeiro e São Paulo. Isto porque sua planta industrial e o modus operandi funcional, postados na dianteira dos modernos equipamentos da indústria e industriosidade temáticas, lhe concedem identidade absolutamente singular, não incumbindo ensejo a que seja confundida com nenhuma instituição inserta no ramo de sua operação, estabelecida que está, ipso facto, na excelente diversidade. Tal sucede, exatamente, por conta desses predicados, hábil e constantemente perseguidos e alcançados pelos seus dirigentes e stakeholders, por sua vez aplaudidos pelos seus clientes, que lhes devotam fidelidade e almejam vida longa para a Organização.
Seu principal, o Dr. Francisco Eulálio Santiago Costa, teve iniciação gutenberguiana na então tipografia do Colégio Piamarta-Montese, escola técnica dirigida pelos padres italianos piamartinos, onde, depois de cumprido programa regular e feito portador de dotações naturais da profissão, já afeito à Ciência dos Cálculos e à Estética, decidiu abraçar o ofício de arquiteto e urbanista, desenvolvendo programa de graduação em Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal do Ceará.
Após se creditar dos teores de excepcional currículo oferecido pelas disciplinas, optou por perlustrar um esgalho desse primoroso mister humano, configurado na simbiose da beleza com a praticidade/funcionalidade da Arte impressa, sem, no entanto, se distanciar do centro irradiador dos saberes arquitetônicos e urbanísticos, com assento, exempli gratia, dentre muitos influxos, nas ideias de  Vitrúvio (Marco Vitrúvio Polio) – utilitas, venustas e firmitas – o tríduo utilidade, beleza e solidez, expressão paradigmática desse prestigioso ramo científico e artístico.
A Expressão Gráfica Editora desenvolveu-se admirandamente nesse entretempo, mercê do descortino dos seus operadores, no cimo, na ponta e sob a dignidade do Dr. Eulálio, na relação absolutamente saudável com os clientes, em meio aos quais os produtores de obras científicas, literárias e artísticas, adotando, permutatis, permutandis, comportamento semelhante ao há pouco indicado pelas editoras do Rio, da Capital paulista e do Ceará de antanho, e ao cuidar, pari-passu, do aggiornamento da Casa no concernente aos avanços da Era Tecnológica e progressos na seara da Administração, Contabilidade e trato cidadão, com vistas a deixar sempre a Empresa no ponto ótimo como escopo para o atendimento de nível máximo aos seus demandantes.
Guardo depoimentos, os mais encomiásticos possíveis, a respeito da recepção operada pelos stakeholders dessa exemplar Organização, por cuja parte adjetiva, operacional do chão de fábrica, respondem a finesse e a urbanidade natural do Dr. Mauro Gurgel do Amaral Neto, por mim experimentadas em cem por cento das vezes em que diligenciei junto à Editora para cuidar de qualquer assunto. Registram-se, constantemente, aquela atenção esmerada, a delicadeza natural procedente de sua educação primorosa e a intenção latente de deslindar os entraves e calhaus, que poderiam funcionar como anteparos aos nossos desígnios de escritores e outros demandantes, mas que, em razão do seu empenho, nas mais das vezes, o problema é dissipado, nos deixando satisfeitos, agradecidos e admirados com tanta lhaneza de trato – tudo isso extensivamente ao comportamento dos demais assessores - do Dr.Eulálio como do Dr. Mauro.
A maioria dessas asserções pode ser validada, por exemplo, pela escritora Professora Maria José Régis Rondon Botelho, habitué da Editora, a qual admira e agradece, constantemente, o atendimento recebido; pelos escritores, excelentes caracteres e nossos amigos, Professores Dimas Macedo, Geraldo Jesuino da Costa e Pedro Henrique Saraiva Leão, bem como por incontáveis pessoas que já experimentaram a ventura, como eu, de editar pela Expressão Gráfica.
Dr. Mauro Gurgel do Amaral Neto, de formação polivalente, economista e advogado, emérito autodidata diuturno da temática universal, faz na sua Editora o papel dos irmãos Garnier e dos demais recepcionistas mencionados neste artigo. Constitui-se leitor (beirando a patologia) de novidades, porém, sabe conceder os descontos das procedências informacionais, e, na sequência, feito intelectual aprestado, logra fazer a cisão do útil em relação ao ocioso, alcançando com facilidade creditar seus proveitos e descartar a lia. Tem ele equipagem cultural e científica suficiente para dar procedimento a um tema proposto, em uma circunstância de visita, todavia, nem sempre concorda ou aceita como prontas e acabadas as opiniões, porquanto reúne condições para, caso enviesadas, complementá-las ou repará-las.

A jeito de fim

            Não quero acreditar – e não perdoo de modo algum – que os leitores desta matéria intentem creditar este comentário à conta de uma publicidade da Expressão Gráfica Editora, até porque este não é o medium propício a um desiderato propagandístico, pois existem outros veículos – rádio, Tv, jornal – por onde as mensagens fluem com maior eficácia, tendo por objetivo o intento publicitário, com feedback ligeiro.
            O moto do artigo é externar um sentimento verdadeiro de agradecimento e – por que não - de enleamento, pelo fato de essas ocorrências terem curso num tempo quando os valores se desviam de sua rota axiológica natural para restarem excessivamente enviesados, com vistas ao imediato proveito, ao dividendo, ao lucro – este, aliás, escopo primordial da razão empresarial – porém antecedido por outras exigências, como sucede com os comportamentos efetivados pela EG neste passo escoliados.  
             De tal maneira, esses motivos me obrigam a pensar que eles representam parte considerável do êxito empresarial da Expressão Gráfica e Editora, a qual pontifica em todo o País como instituição prototípica, e mesmo temática, pois absolutamente singular, nos seus propósitos de alcance editorial, ao satisfazer em condições excepcionais os interesses dos seus clientes, nomeadamente os escritores do Ceará, que lhe consagram a maior benquerença e votam pelo seu perene sucesso, com existência longa e operosa, como Harvard cearense de energia da arte impressora e Sorbonne da nossa manifestação visuoeditorial.